Visto minha farda noturna
E saio
Pra minha ronda rotina.
Dobro esquinas sujas
Que cheiram
A urina de abandonados
E a fezes
De bebês desidratados.
Vejo -
Mesmo nos cantos vazios
Trapos de gente
Envoltos em trapos.
Olhos fundos e sem brilho
Encravados em crânios sem carnes
Que se mexem numa lentidão agônica.
Vejo uma murcha em concha
Que tateia vazia no vazio.
Ouço mesmo a ladainha dos miseráveis -
"Dá-me uma esmola pelo amor de Deus"-
Que me corta o coração.
Nunca chega esse bar de esquecer que me espera.
domingo, 25 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
VISITA
(Ao meu pai enfermo)
Venho de um par de olhos tristes.
Corri de braços que queriam me abraçar
E estavam inertes.
Deixei num leito triste
Um rio de lágrimas retido
E um mundo de perguntas irrespondíveis.
Venho da casa que me gerou
E que semelha hoje
Despojos de um naufrágio
Que desagua num mar injusto.
Dos muitos olhos que me espreitam
E que me seguem o sombrio passo de fuga
Não sei dos que sabem
O peso da tristeza que carrego.
Venho de um par de olhos tristes.
Corri de braços que queriam me abraçar
E estavam inertes.
Deixei num leito triste
Um rio de lágrimas retido
E um mundo de perguntas irrespondíveis.
Venho da casa que me gerou
E que semelha hoje
Despojos de um naufrágio
Que desagua num mar injusto.
Dos muitos olhos que me espreitam
E que me seguem o sombrio passo de fuga
Não sei dos que sabem
O peso da tristeza que carrego.
SOLIDÃO: PARCEIRA SOMBRIA
É o comum dos meus olhos
O estarem úmidos
E perdidos em pontos indefinidos.
É o comum de minha face
O estar triste.
É o comum de mim
A busca desses recantos insólitos
Onde o silêncio rumina nossas dores
Com o vagar das velhas ampulhetas.
Antes de muito sol e fortes ventos
Os meus dias...
Hoje os faço
De apenas sombras e lembranças.
Buscas que se fizeram tantas
Me apontam esse caminho
Que não sei se escolhi de moto próprio
Mas que parece saudável
A essa parceira sombria que todos rejeitam.
O estarem úmidos
E perdidos em pontos indefinidos.
É o comum de minha face
O estar triste.
É o comum de mim
A busca desses recantos insólitos
Onde o silêncio rumina nossas dores
Com o vagar das velhas ampulhetas.
Antes de muito sol e fortes ventos
Os meus dias...
Hoje os faço
De apenas sombras e lembranças.
Buscas que se fizeram tantas
Me apontam esse caminho
Que não sei se escolhi de moto próprio
Mas que parece saudável
A essa parceira sombria que todos rejeitam.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
SOBRE BA FOFOCA
(Riachuelo, 1980)
Aqui não adianta esconder nada
Há um olho suspenso no ar
Que penetra todos os telhados.
Aquí não adianta cochichar
O vento pega a conversa
E leva de orelha em orelha
E a transforma num grito sem fim.
Aqui não adiante nem ficar calado
Um mistério forma a conversa
E sai a divulgar de canto em canto
Sem qualquer recato.
Precisa é que os poucos homossexuais
Pratriquem seus oficios nos bancos da praça.
Precisa é que as mulheres adúlteras
Traiam seus maridos nos leitos das ruas.
Precisa é que as mocinhas violadas
Expoam seus clitóris deflorados.
Depois é só despedir e carimbar na língua
Os atentos operários da fofoca
E vazar a ponta de faca
Esse olho ambulante que tudo vê.
Aqui não adianta esconder nada
Há um olho suspenso no ar
Que penetra todos os telhados.
Aquí não adianta cochichar
O vento pega a conversa
E leva de orelha em orelha
E a transforma num grito sem fim.
Aqui não adiante nem ficar calado
Um mistério forma a conversa
E sai a divulgar de canto em canto
Sem qualquer recato.
Precisa é que os poucos homossexuais
Pratriquem seus oficios nos bancos da praça.
Precisa é que as mulheres adúlteras
Traiam seus maridos nos leitos das ruas.
Precisa é que as mocinhas violadas
Expoam seus clitóris deflorados.
Depois é só despedir e carimbar na língua
Os atentos operários da fofoca
E vazar a ponta de faca
Esse olho ambulante que tudo vê.
RESUMO
Andei até aqui como se não tivesse andado.
Foram como nuvens e sombras quase tudo que abracei.
Foram como sonhos e ilusões quase tudo que vivi.
Do que aprendi de tudo que passei
Sei apenas da dor de ser imcompreendido
Tanto quanto do prazer de ser às vezes reconhecido.
Me conforta só o estar apto ainda a muito andar
Mas com a certeza do que o não aprender com a vida
Está na essência da minha estrutura anímica.
Mas mesmo assim ainda contemplo a vida
Com os olhos de quem assiste a um espetáculo fantástico.
Porque sei que a eternidade
Me dará tempo para andar conforme se deve.
Ainda assim se me for destino ser eternamente errante
Foi para o eterno equilibrio do todo
Que a divindade assim me destinou.
E nada hei de opor a essa divina vontade.
Foram como nuvens e sombras quase tudo que abracei.
Foram como sonhos e ilusões quase tudo que vivi.
Do que aprendi de tudo que passei
Sei apenas da dor de ser imcompreendido
Tanto quanto do prazer de ser às vezes reconhecido.
Me conforta só o estar apto ainda a muito andar
Mas com a certeza do que o não aprender com a vida
Está na essência da minha estrutura anímica.
Mas mesmo assim ainda contemplo a vida
Com os olhos de quem assiste a um espetáculo fantástico.
Porque sei que a eternidade
Me dará tempo para andar conforme se deve.
Ainda assim se me for destino ser eternamente errante
Foi para o eterno equilibrio do todo
Que a divindade assim me destinou.
E nada hei de opor a essa divina vontade.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
PROMESSA
(Para uma amiga recem-conhecida)
Um dia qualquer
Penetrarei em silêncio
Teus sonhos mais profundos
Para puder desvendar o que guardas
Neste teu íntimo inquieto.
Serei como um cuidadoso artífice
A lidar com jóias delicadas.
Sei que um preguiçoso beija-flor
Ronda tuas viçosas pétalas
Ávidas e sequiosas por longos sugares.
Vejo nos teus olhos
Que brilham faiscas vivas
O quanto em potencial
Guardas no teu doce abismo.
Um dia qualquer
Penetrarei em silêncio
Teus sonhos mais profundos
Para puder desvendar o que guardas
Neste teu íntimo inquieto.
Serei como um cuidadoso artífice
A lidar com jóias delicadas.
Sei que um preguiçoso beija-flor
Ronda tuas viçosas pétalas
Ávidas e sequiosas por longos sugares.
Vejo nos teus olhos
Que brilham faiscas vivas
O quanto em potencial
Guardas no teu doce abismo.
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