Que ninguém assista
O momento único de minha despedida.
Se for de dor:
Que seja de uma dor insólita.
Se for de êxtase:
Que seja um êxtase solitário.
Se for de espanto:
Que seja de um espanto frustrado.
Se for indefinido:
Que seja de um acaso incompreensível.
Que nada registre "per seculum"
A última expressão de minha face.
Que a vida alí se negue ou se afirme
Entre paredes que nada ouçam.
Que a morte alí se afirme ou se negue
No tugúrio do qual tanto conhece.
Queria apenas estar apenas só
Como sempre um pouco fui.
domingo, 16 de outubro de 2011
INEXPLICÁVEL
Às vezes
Como um "não-sei-quê"
Irrompe de dentro como um susto
Um "que" de pranto inexplicável.
Pego de surpresa
E já com os olhos úmidos e baços
Quedo-me triste ao acaso incompreensível
Contendo a custo no íntimo de mim
Soluços que tentam explodir.
De que remotos motivos emergiram tais açoites?
Perco-me na busca infrutífera
Em meio ao acervo do que guardo
De tanto que fui de sofrer.
Como um "não-sei-quê"
Irrompe de dentro como um susto
Um "que" de pranto inexplicável.
Pego de surpresa
E já com os olhos úmidos e baços
Quedo-me triste ao acaso incompreensível
Contendo a custo no íntimo de mim
Soluços que tentam explodir.
De que remotos motivos emergiram tais açoites?
Perco-me na busca infrutífera
Em meio ao acervo do que guardo
De tanto que fui de sofrer.
CIDADE NATAL
Todos estavam ali
Mas só seus nomes estavam mantidos:
Seus corpos eram outros
Seus olhos eram outros
Seus sonhos eram outros.
A cidade também estava alí
Mas só seu nome estava mantido:
Suas ruas eram outras
Suas casas eram outras
Seu ar não era o mesmo de tempos outros.
Mas que esperava eu
Tão mudado que também estou
Pelo tempo e pela vida
Que modificou a todos?
Modificou corpos
Que não conhecia desgastes.
Modificou olhos
Que olhavam como bocas famintas.
Transformou sonhos
Em realidades tão pouco nuas
Quanto cruéis.
Mas que esperava eu
Que olvido a trave que me cega os olhos
E que se faz desculpa
Para as lágrimas que não consigo conter.
Mas só seus nomes estavam mantidos:
Seus corpos eram outros
Seus olhos eram outros
Seus sonhos eram outros.
A cidade também estava alí
Mas só seu nome estava mantido:
Suas ruas eram outras
Suas casas eram outras
Seu ar não era o mesmo de tempos outros.
Mas que esperava eu
Tão mudado que também estou
Pelo tempo e pela vida
Que modificou a todos?
Modificou corpos
Que não conhecia desgastes.
Modificou olhos
Que olhavam como bocas famintas.
Transformou sonhos
Em realidades tão pouco nuas
Quanto cruéis.
Mas que esperava eu
Que olvido a trave que me cega os olhos
E que se faz desculpa
Para as lágrimas que não consigo conter.
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