Quero-a esclarecendo o meu mundo.
Quero-a em minhas mãos como tocha
Quando esquadrinho os túneis do absurdo
Para a certeza dos meus passos
Para a festa dos meus ávidos olhos.
Que surjas sempre
Nos escaninhos das mentes que se perdem
Nos abismos dos que se desesperam
Na amargurada noite dos infelizes de todos os gêneros.
Que nunca se apague das esperanças
E dos que buscam com razão.
Que sejas sempre o norte dos que julgam.
Luz!
Quero-a apenas um pouco menos que a DEUS
- Luz de todas as luzes.
terça-feira, 17 de abril de 2012
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
KÁTIA
(Em um bar no Roque Mendes/1981)
Fiquei indeciso
E nada havia por decidir
Seus doze anos
Seu olhar-brilhar
Seu rosto -
Maçã cortada ao meio
Seu sorriso -
Salada verde de lábios e dentes
Meus vinte e nove anos
"Ah meus dezesseis anos"!
Meu desejo
Minhas próprias recriminações ao meu desejo.
Minha filha de sete anos
Essa cerveja
Esse amigo conversador que não para
Meus olhos presos
Minha mente comendo seu nome.
Ah! a distancia dos anos e das condições
Ah! desejos inaceitáveis.
Fiquei indeciso
E nada havia por decidir
Seus doze anos
Seu olhar-brilhar
Seu rosto -
Maçã cortada ao meio
Seu sorriso -
Salada verde de lábios e dentes
Meus vinte e nove anos
"Ah meus dezesseis anos"!
Meu desejo
Minhas próprias recriminações ao meu desejo.
Minha filha de sete anos
Essa cerveja
Esse amigo conversador que não para
Meus olhos presos
Minha mente comendo seu nome.
Ah! a distancia dos anos e das condições
Ah! desejos inaceitáveis.
DE UMA RONDA
(Eu, Delegado em Riachuelo - Terra Natal)
O bar se fez silêncio
Sob minha presença/autoridade.
Um copo descuidado cai
E ninguém se dá por conta.
Embriaguez de álcool, fumo
E respeito/despeito.
Tornou-se cemitério de vivos
O bar.
Como se de velas
A fumaça dos cigarros monotoniza
Os cantos úmidos e vazios
Buscados pelos olhares bêbados
E pelas vozes vagarosas e densas:
Agora mudas.
Saio.
Fiquei para sempre
Na noite porre daqueles homens
E nos desejos sonhos
Daquelas mulheres
O bar se fez silêncio
Sob minha presença/autoridade.
Um copo descuidado cai
E ninguém se dá por conta.
Embriaguez de álcool, fumo
E respeito/despeito.
Tornou-se cemitério de vivos
O bar.
Como se de velas
A fumaça dos cigarros monotoniza
Os cantos úmidos e vazios
Buscados pelos olhares bêbados
E pelas vozes vagarosas e densas:
Agora mudas.
Saio.
Fiquei para sempre
Na noite porre daqueles homens
E nos desejos sonhos
Daquelas mulheres
LEMBRANÇAS
Mergulhado nos sonhos
Brinco as fantasias do passado
Viajando como estranho
Por entre os meus "eus" já vividos.
Fatos e fatos desfilam
Como se nunca tivessem havido
Em vida e verdade -
Distraídas cenas de tempos idos.
Fazem doer as lembranças -
É a saudade.
O presente nunca satisfaz.
Acordo em suspiros e lágrimas
Desfeito e refeito:
Estar vivo é o que importa.
Brinco as fantasias do passado
Viajando como estranho
Por entre os meus "eus" já vividos.
Fatos e fatos desfilam
Como se nunca tivessem havido
Em vida e verdade -
Distraídas cenas de tempos idos.
Fazem doer as lembranças -
É a saudade.
O presente nunca satisfaz.
Acordo em suspiros e lágrimas
Desfeito e refeito:
Estar vivo é o que importa.
LENALDA
Seu nome me soa suave e bonito
É a carícia indefinida que o pronuncia
É a expectativa definida que o ouve.
Sobrevoas ausente
Sobre essa definição prepotente
E se assenta carinhosamente
Na indefinição reverente.
Só seu nome é o meu presente
Corroendo esse vazio de sua ausência.
E se a pouco e pouco
Se me faz menos conhecida
A muito e muito
Se faz mais admirada.
Que esse muro mágico de cristal
Não seja vulnerável
Como todo milagre.
É a carícia indefinida que o pronuncia
É a expectativa definida que o ouve.
Sobrevoas ausente
Sobre essa definição prepotente
E se assenta carinhosamente
Na indefinição reverente.
Só seu nome é o meu presente
Corroendo esse vazio de sua ausência.
E se a pouco e pouco
Se me faz menos conhecida
A muito e muito
Se faz mais admirada.
Que esse muro mágico de cristal
Não seja vulnerável
Como todo milagre.
domingo, 16 de outubro de 2011
QUE ASSIM SEJA
Que ninguém assista
O momento único de minha despedida.
Se for de dor:
Que seja de uma dor insólita.
Se for de êxtase:
Que seja um êxtase solitário.
Se for de espanto:
Que seja de um espanto frustrado.
Se for indefinido:
Que seja de um acaso incompreensível.
Que nada registre "per seculum"
A última expressão de minha face.
Que a vida alí se negue ou se afirme
Entre paredes que nada ouçam.
Que a morte alí se afirme ou se negue
No tugúrio do qual tanto conhece.
Queria apenas estar apenas só
Como sempre um pouco fui.
O momento único de minha despedida.
Se for de dor:
Que seja de uma dor insólita.
Se for de êxtase:
Que seja um êxtase solitário.
Se for de espanto:
Que seja de um espanto frustrado.
Se for indefinido:
Que seja de um acaso incompreensível.
Que nada registre "per seculum"
A última expressão de minha face.
Que a vida alí se negue ou se afirme
Entre paredes que nada ouçam.
Que a morte alí se afirme ou se negue
No tugúrio do qual tanto conhece.
Queria apenas estar apenas só
Como sempre um pouco fui.
INEXPLICÁVEL
Às vezes
Como um "não-sei-quê"
Irrompe de dentro como um susto
Um "que" de pranto inexplicável.
Pego de surpresa
E já com os olhos úmidos e baços
Quedo-me triste ao acaso incompreensível
Contendo a custo no íntimo de mim
Soluços que tentam explodir.
De que remotos motivos emergiram tais açoites?
Perco-me na busca infrutífera
Em meio ao acervo do que guardo
De tanto que fui de sofrer.
Como um "não-sei-quê"
Irrompe de dentro como um susto
Um "que" de pranto inexplicável.
Pego de surpresa
E já com os olhos úmidos e baços
Quedo-me triste ao acaso incompreensível
Contendo a custo no íntimo de mim
Soluços que tentam explodir.
De que remotos motivos emergiram tais açoites?
Perco-me na busca infrutífera
Em meio ao acervo do que guardo
De tanto que fui de sofrer.
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