segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

POEMA SEM TEMA




Procurei um tema
Para compor um poema
Significando esse fim de ano.
Foi um dilema:
Seria intimista
Expondo apenas
A minha própria perplexidade?
Seria filosófico
Tentando criar silogismos
Para refletir a alma coletiva?
Seria épico
Narrando a saga de um povo órfão?
Ou seria satírico?
E se o fosse
A quem satirizar?
Os espertalhões
Ou os tolos?
Os vilões
Ou os néscios, os parvos?

Esse poema não terá tema
Mas apenas

Esses pobres versos.

sábado, 9 de abril de 2016

ESPECTRO






Apenas o intransponível muro a barrar passagens
E o passo abruptamente estancado.
De onde tirar forças para o salto que irá transpor o muro?
Da esperança que murcha nas entranhas do desejo
Ou da vontade que pulsa já fraca nas veias da certeza
Ou ainda da fé que sempre nutre o vácuo dos anseios?

Mas se é imperativo que se siga
Porque os passos hão de ser sempre para a frente
Senão não serão passos
Dever-se-á então sentar-se no colo do tempo
E esperar.
Mesmo que toda a eternidade seja a medida da espera
Nunca olhe para trás ou retroceda seus passos.


domingo, 8 de novembro de 2015

PREPARAÇÃO






Haverei um dia de lembrar desses tempos
Como hoje relembro tempos outros
Que se assemelhavam em angústias e tormentas.
São como ondas bravias e devastadoras
Que se agitam ao sabor de adversas ventanias.
É porque temos que trilhar caminhos
E andar em diversas companhias
Que a existência se faz como uma constante mutante
A ensinar a realidade da impermanência.
Mas não serei como o parvo
Que não visualiza o seu entorno
Configurando-o como uma massa única
Fruto da sua própria criação.
E por força da indubitável necessidade da repetição
Que a vida nos impõe como encargo
Haverei de ser paciente e esperançoso
Para preparar o cenário da possível bonança.



terça-feira, 21 de julho de 2015

ENCONTRO



Sem nenhum esforço ou muita atenção
Mas apenas com o sadio desapego e introspecção
Faz-se as necessárias viagens ao profundo.
Lá onde todos os mistérios se guardam
É possível encontrar até você mesmo
Desnudo de todos os desejos e vontades
Impostos pelo seu escravizante Ego.
É necessária a devida coragem para interpelá-lo
E muita compreensão para entendê-lo
Distanciado que está das realidades exteriores.
Mas serão sempre os mais profícuos encontros
Quando ambos os “eus” decidem dialogar.
Levas ao diálogo as coisas mundanas e as prisões do ser
E ”ouves” em resposta as fórmulas da libertação.
Choras as máguas e as decepções cotidianas
E sentes o consolo de um olhar piedoso
Que no seu contemplativo silêncio   
Compreendeu e absorveu todas as suas dores.



                                  


domingo, 28 de junho de 2015

SOBRE O TEMPO




O tempo passa
Como acompanhante invisível
Trapaceando com a nossa percepção
Até que um dia se pára
Para avaliar o quanto de efeito isso causou.
Aí abominamos os espelhos
Percebemos os escárnios dos circunstantes   
E choramos no silêncio das saudades
Os momentos vividos ou perdidos
Ao longo da caminhada.
Em nosso entorno e na nossa visão
Figuram velhos parceiros que parecem estranhos
Também desfigurados que estão
Por esse cruel acompanhante.
E ele apenas passa sem culpas
Ou preocupações com seus efeitos
- É o tempo senhor do mundo!
Ela guarda e carrega todos os segredos do universo
E faz de nós esses tolos que se desgastam e se desgastam
Nessa tarefa infrutífera de entendê-lo
E a tudo que com ele caminha.

domingo, 21 de junho de 2015

CAMINHADA ETERNA




Trilho passo a passo
Os muitos caminhos que se me apresentam
Com o cuidado necessário
E a cadência apropriada às circunstâncias.
Não me é tão pesado o fardo
Em se comparando à importância da bagagem
Onde se acumulam e se mesclam
O rescaldo de tudo que a vida me faz guardar
Para o eterno consumo.
Tenho permanentes companhias
Que me seguem como sombras
Ou se arrastam às minhas costas como andrajos de fantasmas
Nos sóis dos meus dias
E nas agruras das noites intermináveis.
A cada novo dia
Novas alegrias e novas dores
Novas realidades e novos presságios
Novas tristezas e novas esperanças
Conduzidas todas pelo mesmo eterno mensageiro
Que se veste com a cor da impermanência
E trilha os mesmos caminhos
De todos os mensageiros eternais.
Há de ser eterna também essa caminhada
Para o alcance do propósito maior
Alicerçado na inexorável lei do retorno
Ditada sem esforço pelo comando maior desse universo
Feito todo de imperceptíveis equilíbrios.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

ENÍGMAS





Como estará lá fora
Onde a liberdade passeia
Onde os gritos ganham o ar
Onde os passos não mais se contam?

Que estarão fazendo os outros
Os que não precisam saber de nada
Os que não se incomodam com o que ouvem
Nem ficam pensando em amanhãs?

Como serão certas vidas
Feitas de saudáveis vazios
De assombrosos silêncios
De ócios edificantes?

Onde andarão os sonhos que se perderam
 E as ações que resultaram inúteis?

Em que tenebrosos mares
Ondeiam  as lágrimas dos que choram em silêncio?